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Festival das Estrelas

Artigo de Débora Novaes de Castro, Festival das Estrelas"TANABATA MATSURI", 13 e 14 de julho, 2002, publicado no Jornal Literário Linguagem Viva, em Agosto de 2002.




Festival das Estrelas
"TANABATA MATSURI"
13 e 14 de julho, 2002

Débora Novaes de Castro*


Manhã ensolarada de domingo. Lá estávamos nós, naquele Festival do bairro da Liberdade, em nossa cidade de São Paulo, onde arcos verdes de bambus entrelaçavam seus ramos longos e franjados com as cores das lanternas japonesas, alternadas por flores e fitas de papel colorido.

Lá estávamos, para colocar nossas papeletas contendo "haikus", ou "hai-kais" (forma poética oriental, chegada ao Brasil com o modernismo via Europa e Oriente), numa Urna ladeada por anciãos da comunidade da Associação Miyagui Kenjinkai do Brasil, para participarmos de um dos Concursos da tão festejada efeméride.

Contudo, não era a única finalidade. Muito havia para ser visto e apreciado. Tratava-se de uma festividade desconhecida para os brasileiros até os idos de 1977; pois que, a partir de 1978, o Brasil também passou a comemorar esta festividade em comum, ou seja, orientais e sua descendência, brasileiros e outras nações aqui representadas.


Eis alguns aspectos auspiciosos, com gosto de "sol e amoras" (lembrando o também haicaísta, Guilherme de Almeida), como num todo de mosaicos acerejados e verdes esperançosos, engalanados de lanternas, flores, fitas, pássaros coloridos, num matiz de música e diferentes fazeres artísticos, culinária típica, "origami", árvores anãs, artesanato... Tudo organizado, cuidadosamente, tendo como pano de fundo, a grande festa do FESTIVAL DAS ESTRELAS "Tanabata Matsuri".

Origem
O que seria esta festa? De onde se originaria? Qual o sentido para os orientais que a trouxeram até nós? No que se traduziria?

A resposta: guiados no tempo pelo "fio de Ariadne" remontamo-nos há cerca de 4.000 anos, em que os chineses, inspirados nas estrelas VEGA e ALTAIR, criaram uma história, que os japonês, tempos depois, reproduziriam .

Então...
"... era uma vez , uma linda princesa de nome Orihime e um belo jovem a quem muito amava, de nome Kengyu, como eram conhecidos pelos japoneses. O jovem casal não faziam outra coisa, a não ser dedicarem todo o seu tempo a aquele amor, às paixões, e tão completamente, que se esqueciam por completo das obrigações mais rotineiras. Por essa razão, os dois jovens foram transformados em estrelas e separados pela Via-Láctea. Contudo, permite-se aos amantes, que se encontrem apenas uma vez ao ano, no mês de julho, com a ajuda dos pássaros. Em retribuição ao carinho dos terrenos, Veja e Altair atendem os pedidos que chegam até eles, pela fumaça dos pedidos queimados, na manhã seguinte após as comemorações, pedidos esses que se evolatizam,como tules ou véus miraculosos, levantados do chão e guiados pelos pássaros até às alturas. Somando-se ainda as dádivas das boas colheitas, representadas pelo verde e pelo pipocar das cores, na alegria da compensação do esforço no cultivo da terra."


No Japão - Os chineses criaram a história; mas entre os japoneses, a festa foi introduzida, há 1.300 anos com o nome de TANABATA MATSURI. Sendai, capital da província de Myiagui, é a cidade onde se realizam essas festividades; e onde se manifesta como uma das mais belas e maiores significações do folclore oriental. Massamune Date, governante da região, incentivava o povo a participar delas, no sentido de aprimorar o seu conhecimento técnico e artístico, numa contribuição para o seu crescimento interior. Em São Paulo, o festival começa a acontecer a partir de (segundo alguns) 1978; outros, 1979.

Costume
No Dia do Festival TANABATA, os "tanzaku" (papeletas) são amarrados nos "sassa-dake" (ramos de bambu) e colocados junto aos enfeites típicos. Nessas papeletas, as pessoas escrevem seus pedidos, seus sonhos, suas esperanças, que serão levados até às estrelas pelos pássaros, os ajudadores alados, belos, graciosos e solidários, para que sejam atendidos. Imagens e seus significados, doando e iluminando espaços a serem viajados...

Barracas: mostra e improvisação de imagens em papel; vendas em geral de peças variadas (livros, louças, botânica, utensílios em bambu, culinária típica a agradar os paladares) ... comunicando, contagiando, instruindo e alegrando.

Concursos: os mais diversos, entre eles, concursos de "origami" (figuras de papel dobrado); de culinária oriental; de dança; de haiku ou hai-kai (micro-poema), um dos pontos altos da festividade, cujo resultado seria (dali a alguns dias) divulgado em revistas e jornais da comunidade nipo-brasileira de artesanato, quando as habilidades são apreciadas, disputadas e agraciadas.

Na sede da IWATE-KENJINKAI, aconteceria, posteriormente, a Exposição dos trabalhos apurados.

Participação
Escolas, instituições comunitárias, literárias, artísticas, beneficentes e a comunidade em geral


Coordenação
Pessoa Jurídica: Associação Myiagui Kenjinkai do Brasil - Presidente: Koichi Nakazawa - Rua Fagundes, 152 - Liberdade São Paulo - CGC 47.174.727/000159 Telefax: (0xx11) 279-3265 - Cep 01508-030

Concurso de Haicai

Os vencedores do Concurso de Haicais, em português, que tiveram
julgamento de Edson Kenji Iura e Francisco Handa. O concurso em
português foi coordenado pela professora Rosa Yuka Sato Chubaci.


1°. lugar

Casal de idosos --
e lendo nos "tanzakus"
Antigos pedidos.

Sergio Dal Maso

***


2°. lugar
Ah! Tanabata!
Peço alguém que goste
Muito de haicais.

Mário Kassawara

***


3°. lugar
Sem assinatura
Tremulam pelos tanzakus
Paixoes proibidas.

Neide Rocha Portugal

***


4°. lugar

Um pedido insólito
em meio a tantos tanzakus:
"- me levem daqui!..."

Alberto Murata

***


5°. lugar

Vega! Altair!
Meu pedido é aquele
Com letras bem grandes.

Pedro Felipe Sato

 

***


6°. lugar

Tanzakus em branco.
Ninguem fazendo pedidos.
A festa ja basta!!!

Izo Goldman

***

7°. lugar

Vovó comovida,
dependura Tanzaku,
da neta acamada.

Masau Simizo

***


Concluindo, esta festividade da comunidade nipo-brasileira, FESTIVAL DAS ESTRELAS, Tanabata Mitsuri, que se realiza todos os anos no bairro da Liberdade em São Paulo (mês de julho), com sua simbologia, colorido e alegria, se nos apresenta como um texto impregnado de seus próprios valores, sem excluir, contudo, o que está fora de suas delimitações. Há uma permeação de valores, resultando no enriquecimento dos valores da cultura.

Pode-se dizer que comunidades (nipo-brasileiras) caminham juntas para o aprimoramento e construção de novos saberes.

______

* Débora Novaes de Castro (Débora de Castro)
Professora, Escritora, Artista Plástica,
Mestranda em Comunuicação e Semiótica-Puc-SP,
Linha de Pesquisa: A POÉTICA DO HAICAI, NO MODERNISMO BRASILEIRO.

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